Novo exame pode ajudar a personalizar o tratamento para pessoas que estão deprimidas ou suicidas

Aos seus 20 e tantos anos, Moe havia atingido o sonho do jovem adulto. Um emprego de tecnologia pagou por seu apartamento a poucos quarteirões da praia em Santa Bárbara, Califórnia. O tempo de lazer estava lotado de amigos íntimos e hobbies, como tocar violão. Ele até ganhou sua licença de piloto. "Não havia nada que eu pudesse reclamar", diz ele.


No entanto, Moe logo começou um slide que ele não conseguia controlar. Insônia atingiu, junto com ataques de pânico. Como a depressão leve que ele experimentou desde a infância se aprofundou, a vida de Moe desmoronou. Ele perdeu o emprego, abandonou seus interesses e se retirou de seus amigos. "Eu perdi as emoções que me fizeram sentir humana", diz Moe. (Ele pediu que esta história não usasse seu nome completo.)

Embora muitas pessoas com depressão respondam bem ao tratamento, Moe não era uma delas. Agora com 37 anos, ele tentou drogas antidepressivas e passou por vários anos de terapia. Moe nunca tentou o suicídio, mas ele cai em um grupo de alto risco: embora a maioria das pessoas com depressão não morra por suicídio, cerca de 30% das pessoas que não respondem a vários antidepressivos ou terapia fazem pelo menos uma tentativa. Moe estava desesperado por alívio e com medo de seu futuro. 

Então, quando ele ouviu falar de um ensaio clínico testando uma nova abordagem para o tratamento da depressão na Universidade de Stanford, em Palo Alto, Califórnia, perto de sua casa, ele se inscreveu.

Pessoas como Moe apresentam um enigma para os médicos, mas uma oportunidade para os pesquisadores: um grupo cuja saúde pode ser transformada pela psiquiatria de precisão. 

A depressão é frequentemente tratada como uma doença única, mas muitos pesquisadores concordam que na verdade são doenças múltiplas e distintas. Algumas dessas condições podem aumentar o risco de suicídio mais do que outras. Quantos subtipos de depressão existem - e como eles diferem - é muito debatido. Uma forma de os pesquisadores tentarem resolver a questão é investigando o cérebro. Eles estão estudando os circuitos neurais que se acendem durante tarefas específicas e então correlacionam esses padrões de ativação com os sintomas.

Esses esforços fazem parte de uma campanha mais ampla para explorar a biologia cerebral da doença mental, incluindo depressão, transtorno bipolar e tendência suicida ativa. O objetivo não é apenas encontrar marcadores biológicos de risco, mas adequar os cuidados de acordo - às vezes, indo além do arsenal habitual da psiquiatria - e melhorar o prognóstico de Moe e de outros como ele.

Fonte: Science

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