Câncer de esôfago | O que é?

O câncer de esôfago é o quinto tumor maligno mais frequente do trato gastrintestinal. É menos frequente que os de colorretal, pâncreas, estômago e fígado. Geralmente acomete pessoas entre os 50 e 70 anos de idade, na proporção de três a seis homens para cada mulher.

Estatísticas


Estimativa de novos casos: 10.790, sendo 8.240 homens e 2.550 mulheres (2018 - INCA).

Número de mortes: 8.402, sendo 6.525 homens e 1.876 mulheres (2015 - Atlas de Mortalidade por Câncer).

No Brasil, o câncer de esôfago (tubo que liga a garganta ao estômago) é o sexto mais frequente entre os homens e o 15º entre as mulheres, excetuando-se o câncer de pele não melanoma. É o oitavo mais frequente no mundo e a incidência em homens é cerca de duas vezes maior do que em mulheres.

O tipo de câncer de esôfago mais frequente é o carcinoma epidermoide escamoso, responsável por 96% dos casos. Outro tipo, o adenocarcinoma, vem aumentando significativamente.

HISTÓRIA NATURAL DA DOENÇA

O câncer de esôfago pode surgir já como lesão francamente maligna ou instalar-se em local em que existam lesões pré-malignas, como é o caso do esôfago de Barrett. O tumor se inicia na camada de revestimento interno do órgão (mucosa). Ao crescer, invade a espessura da parede, penetrando a submucosa, camada muscular e a camada adventícia que cobre a parte externa. Por proximidade, pode comprometer órgãos vizinhos, como brônquios pulmonares, traqueia e estômago.

TIPOS DE CÂNCER DE ESÔFAGO

Carcinoma de células escamosas ou epidermoide

É responsável por mais 90% dos casos dos tumores de esôfago do terço superior e médio, sendo o tipo mais relacionado com o tabagismo e o álcool.

Adenocarcinoma

É o tipo mais comum dos tumores da porção mais inferior do esôfago. Está relacionado com a esofagite de refluxo e o esôfago de Barrett. Atualmente, o adenocarcinoma é o tipo encontrado em cerca de metade dos casos de câncer de esôfago.

Tipos mais raros

Os demais 5% incluem tipos bem mais raros: carcinomas de pequenas células, sarcomas, linfomas e tumores adenoide-císticos.

Comportamentos de Risco


O consumo frequente de bebidas muito quentes como chimarrão, chá e café, em temperatura de 65ºC ou mais, pode levar ao câncer de esôfago.

O consumo de bebidas alcoólicas pode causar câncer de esôfago, não havendo níveis seguros de ingestão. É importante destacar que, não só o consumo regular, como também o consumo excessivo e esporádico de qualquer tipo de bebida alcóolica.

O excesso de gordura corporal favorece o desenvolvimento de câncer de esôfago. A obesidade também facilita o desenvolvimento da doença do refluxo gastroesofagiano (DRGE), importante fator de risco para o desenvolvimento da doença.

Consumo de carnes processadas (exemplo: salsicha, presunto, blanquette de peru, entre outros).

O tabagismo isoladamente é responsável por 25% dos casos de câncer de esôfago. O risco aumenta rapidamente com a quantidade de cigarros consumida. Mesmo as pessoas que já fumaram, mas interromperam, possuem risco aumentado de desenvolver este câncer quando comparadas aos que nunca fumaram.

Estão associadas à maior incidência desse tumor história pessoal de câncer de cabeça, pescoço ou pulmão.

Infecção pelo Papilomavírus humano (HPV).

Tilose (espessamento da pele nas palmas das mãos e na planta dos pés), acalasia (falta de relaxamento do esfíncter entre o esôfago e o estômago), esôfago de Barrett (crescimento anormal de células do tipo colunar para dentro do esôfago), lesões cáusticas (queimaduras) no esôfago e Síndrome de Plummer-Vinson (deficiência de ferro).

Exposição a poeiras da construção civil, de carvão e de metal, vapores de combustíveis fósseis, óleo mineral, herbicidas, ácido sulfúrico e negro de fumo está associada ao desenvolvimento de câncer de esôfago. 

Os trabalhadores da construção civil, metalurgia, indústria de couro, eletrônica, mineração e agricultura, engenheiros eletricistas, mecânicos, extratores de petróleo, motoristas de veículos a motor, trabalhadores de lavanderias/lavagem a seco e serviços gerais podem apresentar risco aumentado de desenvolvimento da doença.

Diagnóstico


É feito por meio da endoscopia digestiva, um exame que investiga o interior do tubo digestivo e que permite a realização de biópsias para confirmação do diagnóstico. Quando o tumor é detectado precocemente, as chances de cura aumentam muito.

Tratamento


De forma geral, o tratamento pode ser feito com cirurgia, radioterapia e quimioterapia, de forma isolada ou combinada, de acordo com o estágio da doença e das condições clínicas do paciente. Casos selecionados de tumores iniciais podem ser tratados por ressecção local durante a endoscopia, sem a necessidade de procedimento cirúrgico formal.

Nos casos onde o objetivo é a cura, os pacientes são inicialmente submetidos a um tratamento combinado com quimioterapia e radioterapia, e posteriormente é feita a cirurgia. Para os tumores muito avançados ou no caso de pacientes muito debilitados, o tratamento tem caráter paliativo (sem finalidade curativa) e é feito por radioterapia combinada ou não à quimioterapia.

No leque de cuidados paliativos também encontram-se disponíveis as dilatações com endoscopia, colocação de próteses autoexpansivas (para impedir o estreitamento do esôfago) e braquiterapia (radioterapia com sementes radioativas).


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