Imunoterapia no tratamento do câncer

O câncer é uma doença que ocorre pelo crescimento e multiplicação descontrolada das nossas próprias células. O processo para que uma célula normal se torne uma cancerígena é longo e ocorre pelo acúmulo de erros no DNA, ou seja, o material genético onde estão todas as informações das nossas células.

Dependendo do estilo e hábitos de vida de cada pessoa, os acúmulos de erros podem ser mais ou menos intensos. Maus hábitos, como fumar, aumentam consideravelmente o número de incorreções. No caso do tabaco eles se acumulam principalmente nas células do pulmão e demais locais do corpo que entram em contato com as toxinas do cigarro. Estes são conhecidos tecnicamente como mutações.

Outros hábitos como a manutenção de um bom peso, a prática de exercícios e uma dieta balanceada protegem contra o desenvolvimento de câncer. No entanto existe também o componente da aleatoriedade, já que nossas células estão em constante divisão e podem ocorrer erros ao acaso que, ao longo dos anos, podem levar a um câncer mesmo em pessoas que mantêm um estilo de vida saudável.

O sistema imunológico tem papel fundamental no controle das infecções e também desenvolvimento de câncer. As células de defesa são capazes, na maioria das vezes, de perceber alguma anomalia no material genético e eliminam as defeituosas, antes que possam se tornar ocasionar a doença no futuro.

Apesar disso, existem mutações que fazem com que a célula que está adquirindo o comportamento cancerígeno se torne "invisível" para as de defesa. Esta evasão do sistema imunológico é uma das principais características das cancerígenas.

Para que um tumor cresça, as células precisam ser capazes de escapar do controle do sistema imunológico. O conhecimento deste mecanismo permitiu aos médicos e cientistas começarem a explorar maneiras de fazer o sistema imunológico de cada pessoa voltar a enxergar onde as células cancerígenas estão.

Como funciona o tratamento?


Duas classes de medicamentos agem impedindo esse desligamento, os anti-PD1, que travam o botão na posição ligado; e os anti-PDL1, que "fecham o dedo" do tumor, impedindo que ele desligue a célula de defesa.

Ao conjunto dessas drogas damos o nome de inibidores de check point imunológicos. Esta tem sido uma verdadeira revolução no tratamento do câncer nos últimos 10 anos.

Inicialmente foram utilizados com sucesso em doenças que nós sabíamos que tinham muitas mutações, como o melanoma da pele, o câncer de pulmão do fumante e no câncer de rim. Atualmente têm sido utilizados em diversas doenças como tumores de cabeça e pescoço, outros cânceres de pele, rim, bexiga e cânceres hematológicos. Embora não seja um tratamento que funcione, e seja indicado, para todas as pessoas é inequívoco o avanço que trouxeram no tratamento do câncer.

Estes medicamentos também têm efeitos colaterais diferentes dos observados com a quimioterapia. Como agem estimulando as células de defesa, por vezes estas células atacam alvos não relacionados ao tumor e sim a partes normais do corpo, é o que chamamos de auto-imunidade. Um percentual das pessoas pode ter alterações na pele, inflamação do intestino, pulmão ou glândulas que produzem hormônios. Em geral o problema é menor e auto limitado.

Fonte: Minha Vida

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