Imunoterapia como primeira opção de tratamento no câncer de pulmão

Estudo com participação de brasileiro mostrou que pembrolizumabe é melhor que quimioterapia em primeira linha para o tratamento de câncer de pulmão de não-pequenas células


Estudo apresentado na plenária da reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), que apresenta os principais estudos do evento, traz dados da comparação entre a imunoterapia com pembrolizumabe como primeira linha de tratamento para câncer de pulmão de não pequenas células avançado e a terapia padrão com quimioterapia isolada. O ensaio aponta que a imunoterapia acarreta maior sobrevida global e livre de progressão.

O estudo é o maior já feito para analisar o uso do pembro como primeira opção de tratamento para o câncer de pulmão de não pequenas células, o tipo mais comum desse tumor.

“Esse é um estudo que muda o que já fazemos no dia a dia. Muitos pacientes com câncer de pulmão agora têm uma nova opção de tratamento com melhor eficácia e eficiência e menos efeitos colaterais que a quimioterapia padrão”, disse Gilberto Lopes. “O pembrolizumabe traz mais benefícios que a quimioterapia para dois terços de todas as pessoas com o tipo mais comum de câncer de pulmão.”

Os efeitos colaterais também foram menores com a imunoterapia, de 18% em comparação com 41%. Segundo Lopes, apenas um paciente no braço que recebeu a imunoterapia teve morte relacionada ao tratamento, mas ainda assim é possível que o óbito tenha sido devido a outras causas. “Já aprendemos a manejar a toxicidade da imunoterapia”, comentou o médico em coletiva de imprensa.

Mais testes e novos alvos


Nos EUA menos de 2% dos pacientes com câncer de pulmão fazem o teste para biomarcadores da doença. No Brasil a situação é ainda mais preocupante. Sem o teste não é possível identificar os pacientes que melhor se adequam a cada tratamento.

Outro desafio do estudo é avaliar quais pacientes deveriam receber apenas o pembro e quais deveriam receber o pembro em combinação com a quimioterapia. A resposta varia de acordo com a taxa de expressão do PD-L1. Os três grupos com diferentes níveis de expressão da proteína analisados no estudo não são suficientes para que os pesquisadores prevejam os benefícios da droga para cada pacientes com níveis específicos.

“Ainda precisamos de muito trabalho para selecionar e achar esses pacientes antes de iniciar o tratamento”, comentou Lopes. “Precisamos achar esses pacientes que se beneficiam da quimioterapia sozinha e os que se beneficiam da imunoterapia.”

O médico ressalta ainda que podem haver outros alvos melhores que o PD-L1 para analisar e outro estudo já está em andamento para avaliar o uso da droga adjuvante, após a cirurgia, e em combinação com outras imunoterapias.

Fonte: Revista Onco

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