Dignidade e ressignificação perante o câncer

"A missão tradicional do médico é aliviar o sofrimento humano; se puder curar, cura; se não puder curar, alivia; se não puder aliviar, consola."



Aquele envelope, contendo o resultado do exame, tão temido e as vezes tão mortal, com as mãos trêmulas o papel é passado para o médico dar a noticia que não queremos : "Você tem câncer!"

Uma emoção que se sente a posterior, pode ser exatamente o que vivenciarem a seguir : corremos ou lutamos.

Culturalmente pensamos que o câncer (na realidade, uma denominação genérica de um conjunto de doenças com caracteristicas similares) vai nos matar, e pode mesmo, mas cada caso é um caso, vai depender de vários fatores que já falamos aqui no blog.

Segundo a médica Elisabeth Kübler-Ross (1996), autora do livro A Roda da Vida, as pessoas relacionam um tumor maligno com doença fatal, via de regra, encaram o diagnóstico de câncer como uma condenação inevitável, pelo fato do câncer ser uma das principais causas de morte entre as doenças crônicas, mesmo com o avanço crescente dos tratamentos e medicamentos.

Ao pensar na morte, seja a simples idéia da própria morte ou a expectativa mais do que certa de morrer um dia, seja a idéia estimulada pela morte de um ente querido ou mesmo de alguém desconhecido, o ser humano normalmente é tomado por sentimentos e reflexões.

Neste momento compreendemos que a vida não acaba só quando cessam os batimentos cardíacos, ela começa a acabar quando deixamos de viver aquilo que é verdadeiramente relevante para nós: nossos desejos, nossos sonhos, nossas realizações, nossas emoções. Compreendemos que para isto morremos todos os dias quando deixamos de viver aquilo que nos motiva e dá sentido a nossa vida.
 
Semana passada conheci pessoalmente uma "amiga virtual" que já foi citada aqui no blog, a psicóloga clinica, especializada em psico-oncologia, Carla Mannino. Ela foi uma das maiores incentivadoras e deu um grande apoio para fazer a coluna do câncer (que é publicada aqui todas as quartas-feiras). Ela também foi uma das organizadoras do livro Câncer : Vidas Ressignificadas, cujo lançamento foi divulgado neste link   do meu blog RS e Outras Histórias 

Recebi (na época 20/09/2010)  um comentário da Carla no blog :

"Geraldo! Como idealizadora e organizadora do livro reforço as palavras aqui escritas: Falar sobre câncer contribui para que o estigma seja derrubado, minimizando assim sofrimentos.
Conto com todos lá!"

Infelizmente, na data do lançamento do livro, não pude comparecer no evento, mas ali, neste comentário foi o embrião de uma idéia, que levou seis meses para tomar forma e ser viabilizado.

Em abril deste ano, lancei o primeiro artigo da coluna e assim tenho feito até hoje, publicando todas as quartas-feiras noticias e artigos sobre câncer.

Mas voltemos ao livro, organizado pela Carla, ressignificação  é o método utilizado para fazer com que pessoas possam atribuir novo significado a acontecimentos através da mudança de sua visão de mundo, segundo as palavras da nossa apoiadora : "O processo de cura passa pela reflexão e conscientização sobre como se tem vivido a própria vida e, especialmente, como uma nova postura, novos hábitos e atitudes diante da doença e da vida, podem produzri efeitos extremamente benéficos ao organismo debilitado"


Agora tenho em mãos o livro (foto acima) que resenharei em seguida, dignidade e ressignificação é o caminho para a cura e/ou entendimento do câncer.

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3 Comentários

  1. Geraldo,

    Eu acho que não existe nada mais devastador do que abrir um laudo com resultado positivo de uma doença - muitas vezes fatal. Até o fim de tudo, seja ganhar da doença, ou ela da gente, só há incertezas, tristeza, angustia ... e quem sabe... o sabor de uma segunda chance.

    beijos

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  2. Geraldo, espero que continuemos contribuindo para a desmistificação do estigma do câncer. Conte sempre comigo! Obrigada, amigo real!

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  3. Geraldo,

    Ao receber, aos 24 anos, o laudo com resultado positivo do CA, fez com que ocorresse a mudança de muitos conceitos e um encontro muito importante, eu comigo mesma. É um momento de muita reflexão e aprendizado. E a Carla Maninno, com certeza, ajudou muito. E com certeza o estigma tem que ser derrubado, pois mesmo fazendo quimioterapia, continuei com minhas atividades profissionais.E claro, ter fé sempre!!!! abraço

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