Deboches e o inicio da crueldade humana.

A idéia do artigo surgiu pela noticia de uma familia que conseguiu, na justiça, autorização para educar os filhos em casa. Com apoio do Ministério Público, os pais conseguiram convencer o juiz da Vara da Infância e Juventude de que a educação domiciliar é possível e, teoricamente, não traz prejuízos. Este caso ocorreu em Maringá/PR.

Nos desdobramentos do caso, a midia repercutiu a opiniões de especialistas em educação, dizendo que a escola cumpre também o papel da socialização da criança e adolescente, além de fornecer os conteúdos programáticos.

Passa pela cabeça também os primeiros rituais cruéis: os adjetivos pejorativos.

Se é muito magro, é chamado de vareta, pau de virar "tripa", prego, alfinete. Se é muito obeso, vira baleia, balofo, rolha de poço, elefante, "banha".

Se é estudioso vira CDF, se demora a compreender é "burro".

Se adentrar a adolescente a menina demora (por questões genéticas ou metabólicas) a desenvolver curvas e/ou seios, é chamada de "tábua", ao contrário é chamada de cadeiruda ou peituda.

Chegando a idade adulta, poderá ser adjetivado em várias situações :
- Só tem lugar ao lado daquele gordo.
- Tá vendo o careca ? É na frente dele
- Não senta ao lado do narigudo.

Forcei as exemplificação  apenas pela minha vivência desde os primeiros estudos até a graduação no ensino superior.

Estes procedimentos que citei são hoje chamados de bullying, termo genérico que abrange vários dos comportamentos jocosos que são facéis de ouvir e de aplicar. Somos rápidos em apelidar e mais rápidos em recusar apelidos que não nos agradam.

Um dos maiores problemas atuais seriam contra os obesos, já que a cultura atual de beleza não os contempla entre os modelos ideais. 

Veja abaixo uma das mais belas obras do Pintor Italiano Botticelli





O que achou? Chama-se Primavera

As mulheres são obesas, magras ou normais? Cada um enxerga de uma maneira e jeito, o certo que não podemos apor rótulos, apelidos ou adjetivos que os diminua, humilhe ou transforma de maneira permanente aquilo que há de belo na concepção da pessoa ou do artista.

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3 Comentários

  1. Voce sempre tem textos tao bons, mas minha mente está vagando, desculpa... voltarei.

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  2. Olá Geraldo!
    Realmente os rótulos são terríveis. Especialmente quando somos adolescentes. A mim, quando era criança, chamavam-me "sardenta". Chorava lágrimas de sangue cada vez que me nascia mais uma sarda na bochecha...
    Eu penso que na fase adulta rotular os outros talvez seja uma forma de esconder os próprios medos, frustrações e insegurança.
    Abraços

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  3. Texto excelente amigo Geraldo!
    Com certeza os deboches são absurdos. E, certamente temos que aprender a lidar com pessoas frustradas que fazem disto uma "profissão" para aliviar suas fraquezas.
    Porém não vejo mal algum na educação dos filhos em casa, desde que os pais mostrem-se capacitados a dar a educação plena a criança em termos de conteúdo. (se bem que com nosso ensino de hoje isto não é tão complicado assim... rs)
    Parabéns pela postagem amigo. Faz refletir.
    Abraços, Fernandez.

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