A barbárie medieval de volta nos trotes universitários

Seja no meio do ano, seja no fim do ano, os vestibulares ativam os sonhos de milhares de estudantes, familias, amigos e conhecidos dos "bravos guerreiros" da educação superior. O ingresso no ensino superior é uma vitória, independente dos meios que conseguimos para chegar lá. Estou com uma mania, meio chata, de olhar para o lado "B" destes acontecimentos.

Feito a matricula, é hora de preparar-se para um ritual bárbaro de iniciação: o trote universitário!!

Vejam trechos destas duas noticias publicadas na Veja: 

"Encerrada a temporada de vestibulares, as universidades brasileiras recebem nesta semana milhares de novos alunos. É a abertura da temporada de matrículas, aulas e trotes - uma das mais controversas tradições do ensino superior brasileiro. Nos últimos anos, os  trotes a alunos novatos têm chamado mais a atenção devido aos excessos" (¹)
Symbol of PUC-RSImage via Wikipedia
Calouros da faculdade de agronomia da Universidade de Brasília (UnB) passaram na terça-feira pelo tradicional “trote”. A violência das atividades, porém, colocaram a universidade em alerta. Em nota, a UnB classificou o episódio como “humilhante”. (²)

Quando, em agosto de 1983, ingressei no campus da PUC / RS para frequentar minha graduação de administração de empresas, pensei no trote que seria aplicado à nossa turma. Já tinha a experiência, na mesma universidade, quando o meu irmão mais velho, bixo (calouro) em engenharia, teve todo seu cabelo "tesourado".  (veja neste link, um cabelo tesourado)

Começamos em uma segunda-feira à noite (o curso era noturno) temeroso do trote, mas nada, veio a terça e a quarta, continuamos imunes. Na quinta feira, em meio a uma aula de Filosofia, pós intervalo, uma turma de "veteranos" invadiu a sala. Nosso trote: pinturas com tinta "tempera"  (³) no rosto. Saimos com o rosto todo pintado, mas imunes de qualquer outro ritual "bárbaro" ou humilhante por nosso colegas "veteranos". Nunca esqueci minha "sorte".

Será que o meu curso foi ou era diferente? Apenas uma brincadeira é um cartão de boas vindas? 

Que conste neste artigo que jamais apliquei trote em nenhum colega "calouro".

Referencias:

(¹) - A origem medieval do trote universitário - Veja (09/02/2009)

(²) - Calouros da UnB passam por trote "humilhante" - Veja (14/07/2010)

(³) - têmpera é um método de pintura no qual os pigmentos de terra são misturados a um “colante”, uma emulsão de água e gemas de ovo ou ovos inteiros (às vezes cola ou leite).

Postar um comentário

2 Comentários

  1. Olá amigo Geraldo!
    Uma brincadeira de uma pintura com têmpera acho tranquilo. Mas quando existe alguma humilhação ou agressão (física ou moral) é um absurdo.
    Gostei da postagem.
    Abraços, Fernandez.

    ResponderExcluir
  2. Geraldo, cada vez mais existem divulgações contra este tipo de pratica. Espero que este ano menos casos apareçam. Acho humilhante a maioria das brincadeiras. No meu tempo foi extremamente civilizado, até muito divertido, dentro do Teatro da faculdade, onde cada um se apresentava, fazia algo engraçado (como contar piadas) para a plateia rir. Tambem "compramos" os rapazes ou moças, mas nada vulgar. Exemplo, o meu "amo" que me comprou me fez pegar fila da xerox ou da cantina por uma semana para ele. Beleza! E ainda ganhei um amigo. O meu "amo" tambem foi vendido... rsss.... nunca me esqueci... ele mostrou os dentes, como se fosse um cavalo a venda, que estavam perfeitos. Todos morreram de rir!

    Beijos

    ResponderExcluir

Obrigado por comentar!! Volte Sempre!!