A eugenia e triste lembrança do holocausto

Certos assuntos causam-me uma relutância em escrever-los, já que narram passagens nem um pouco agradáveis da raça humana. Lembrar da Inquisição e seus métodos cruéis de tortura com pessoas inocentes (e mesmo "culpadas" não mereciam o tratamento dispensado), seriam passíveis de nódoas na linha do tempo humano.

Foto:  Andrzej Grygiel/EPA


Agora, hoje comemora-se (ou lembram-se) da data de libertação do campo de concentração de Auschwitz/Birkenau. Há 66 anos, o mundo tomou conhecimento, via tropas soviéticas, os horrores cometidos pelas tropas nazistas em nome de uma pretensa eugenia (ou purificação "social" e "racial"). 
Mas o que é Eugenia?

Eugenia é um termo cunhado em 1883 por Francis Galton (1822-1911), significando "bem nascido".[1] Galton definiu eugenia como o estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações seja física ou mentalmente.[2] Em outras palavras, melhoramento genético. O tema é bastante controverso, particularmente após o surgimento da eugenia nazista, que veio a ser parte fundamental da ideologia de pureza racial, a qual culminou no Holocausto.

Mesmo com a cada vez maior utilização de técnicas de melhoramento genético usadas atualmente em plantas e animais, ainda existem questionamentos éticos quanto a seu uso com seres humanos, chegando até o ponto de alguns cientistas declararem que é de fato impossível mudar a natureza humana.

Desde seu surgimento até os dias atuais, diversos filósofos e sociólogos declaram que existem diversos problemas éticos sérios na eugenia, como a discriminação de pessoas por categorias, pois ela acaba por rotular as pessoas como aptas ou não-aptas para a reprodução. Do ponto de vista do debate científico, a eugenia foi derrotada pelo argumento da genética mendeliana.

Já na Grécia antiga, Platão descrevia, em República, a sociedade humana se aperfeiçoando por processos seletivos (sem falar que em Esparta já se praticava a eugenia frente aos recém-nascidos, já que não existiam pré-natais, abortivos eficientes, eutanásia e afins), já conhecidos na época. Modernamente, uma das primeiras descrições sobre a eugenia foram feitas pelo cientista inglês Francis Galton.
Galton foi influenciado pela obra de seu primo Charles Darwin, A Origem das Espécies, onde aparece o conceito de seleção natural. Baseado nele Galton propôs a seleção artificial para o aprimoramento da população humana segundo os critérios considerados melhores à época.

O que dizer diante de tanto descaso com o ser humano? O homem é igual em suas diferenças, e como qual não merecer ser discriminado, caçado, submetido a excreção pública, tratamento cruel ou exterminado.

Lembrar (ou comemorar o fim do ciclo dos horrores) é nossa obrigação, para que esta nuvem negra nunca mais paire sobre nossos horizontes.

Referencias :

  1.  Galton, Francis. Inquiries into human faculty and its development. New York: AMS Press, 1973.
  2.  José Roberto Goldim (1998). Eugenia. UFRGS. Página visitada em 2009-01-28.

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3 Comentários

  1. Geraldo, fantastica leitura! Eu fiquei até lembrando do livro Admiravel Mundo Novo. Lá as pessoas eram condicionadas a viverem sobre regras hipoteticamente harmonicas. Obedecendo regras sociais e estas divididas em castas. Não havia valores morais que os regiam. Além de que o conceito de familia era zero. Por que lembrei? Seja na ficção, seja na ditadura nazista, seja na nova era científica, estão constantemente mexendo na natureza humana e a classificando. Eu acho que estudar para melhorar as condições de vida, acabar com algumas doenças, isso é muito importante, mas manipular se nasce masculino ou feminino, olhos claros ou não, isso ou aquilo, como já se faz, é algo assustador.

    beijos

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  2. Geraldo, hoje também postei sobre o holocausto - que deve ser lembrado sempre, para que o homem não cometa os deslizes do passado!
    Primoroso seu texto! Gostei das referências que fez!

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  3. Olá amigo Geraldo!
    Texto bem interessante que nos leva a boas reflexões. Temos que recordar de acontecimentos trágicos justamente para não deixar que fatos lastimáveis venham a se repetir.
    Um ponto que acho interessante é que a "seleção" é feita pelo próprio ambiente. Logo "mutações", por exemplo, são fundamentais para a evolução de uma espécie. Se o homem interferisse ele certamente procuraria evitar mutações, ou seja, ele limitaria sua própria espécie por achar que ela já "é uma brastemp". ;-) rs
    Grande abraço,
    Fernandez.

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