A lascivia e a sede de poder

Prova de Fogo (filme) (2068945035)Image via Wikipedia
Como de costume vemos uma busca desenfreada pelo poder. Seja ele político, econômico, social e idealógico, ele é buscado com sofreguidão. Basta ter a noção de autoridade ou controle sobre uma atividade, que logo transforma o comportamento das pessoas. Em setembro deste ano (2010) o diretor do filme Comédia do Poder, Claude Chabol faleceu, deixando com esta obra, um recado sarcástico sobre a corrupção, um  dos instrumentos mais utilizados para manutenção ou obtenção de (mais) poder. 

Este recado  bem demonstrado pela ambição quando desmedida, tem também o poder de “embriagar” a quem não controla os seus limites, admitindo como “perfeitamente normais” certos atos, mesmo que estes atos possam vir a magoar, desrespeitar ou prejudicar alguém... 

Tudo em nome do TER, que aliado ao egoísmo, converte-se em cobiça. 

Ter ambição é um sentimento saudável.  Podemos ter até, muita ambição, desde que esta esteja sempre acompanhada de um sólido princípio ético. 

A ambição desmedida, além de nos iludir, pode nos tornar mercenários de nós mesmos e de nossos desejos, nos afastando muitas vezes de pessoas que seriam muito importantes fazerem parte de nossas vidas.

Para exemplificar, vamos colocar a personalidade do Rei Henrique VIII, um dos mais controversos soberanos britânicos, famoso pelo rompimento com a Igreja Católica, casou-se seis vezes. Tudo isto para gerar um herdeiro masculino, que não chegou a suceder-lo. 

Podemos citar Napoleão e outros famintos de poder...

Recentemente li uma reportagem do jornalista gaúcho Flávio Alcaraz Gomes sobre o baile da Ilha Fiscal, derradeiro episódio que derrubou a moribunda monarquia brasileira. Em cinquenta anos de austera condução, o imperador D. Pedro II, já enfraquecido pela doença e idade, não conseguiu escolher um ministério que administrasse com sobriedade e ouvisse os clamores da população. 

Manchou a biografia de D. Pedro II a notícia de que o baile foi marcada pela orgia retumbante, pelos gastos desmurados, pelos excessos comedidos, estima-se que cerca de três a cinco mil pessoas participaram do baile (conforme as fontes), marcado pelo excesso e pela extravagância: a ilha foi enfeitada com balões venezianos, lanternas chinesas, vasos franceses e flores brasileiras. 


Na parte de trás do palacete foram montadas duas mesas, em formato de ferradura, onde foi servido um jantar para quinhentos convidados, sendo 250 em cada uma.

Temos assim um histórico de que aconteceu no nosso passado histórico e no nosso presente, antigos senhores do poder, atuais donos do poder perseguem o prazer que inebria, embriaga, ilude, corrompe e anestesia os sentidos e valores.

Pior que o ópio, vicia e não se sacia, porque uma vez tocado por ele, a busca é incessante até que acaba por aniquilar a sua fonte e seu agente.

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2 Comentários

  1. Olá Geraldo!
    O que me deixa muito triste é que as pessoas que partem em suas cruzadas, sem sentido, cegas pelo um poder, vendem suas almas e passam a viver inescrupulosamente. Ontem ouvi uma frase que diz assim: "Quem se vende por muito, recebe menos do que vale!".
    É por aí!
    Grande beijo,
    Jackie

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  2. Genial, Geraldo! O poder cega! Eu concordo que o ser humano precisa de ambição, desde que sadia, desde que possa crescer, que seja um motor que o impulsione para realizar seus projetos de vida, nunca para desmoralizar nada e ninguem, tao pouco ferir a ética. Infelizmente, até num pequeno nucleo de convivencia, vemos pessoas ensandecidas pelo poder. Eu vi brigas ordinárias em familia querendo herança enquanto seus pais ainda estavam vivos e saudaveis. Imagine só quando abre-se o leque da ganancia!

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