Calamidade, politica e atitudes

Foto BBC/AFP
Após as tragédias das zonas de risco no estado do Rio de Janeiro, o governo decidiu retirar moradores das encostas e morros. Agiu agora com rapidez que deveria ter tido antes, atitude que poderia ter preservado a vida de mais de 200 pessoas, este problema não é exclusivo do Rio e muito menos do Brasil, o que diferencia é o comportamento dos governos. Vejamos duas situações semelhantes ocorridas na França e Estados Unidos.

No estado de Rhode Island, pequeno estado dos EUA, fica a três horas de Nova York, no nordeste dos Estados Unidos, praticamente espremido entre o oceano, lagos e rios, teve a pior tempestade em 40 anos, a chuva forte chegou de repente como no Rio de Janeiro, mas ninguém morreu. 

Em um determinado ponto, a água do rio subiu mais de três metros. E chegou com tanta violência que acabou derrubando uma ponte. Foi tudo arrastado pela correnteza.

Sorte é que os moradores do asilo que fica na beira do rio tinham sido obrigados a sair. 

Sorte?

Mais de duas mil famílias receberam ordens para sair às pressas.

O cartaz na porta não é aviso, é uma ordem: proibido viver nesta casa.

Depois de chuvas tão violentas e de uma enchente histórica, não há sequer um único registro de morte na região. A geografia certamente ajuda, as cidades não têm montanhas, são planas, e por isso também não houve nenhum deslizamento de terra. Mas há ainda outros motivos para que a fúria da natureza não se tornasse uma tragédia muito maior.

Em 122 centros, meteorologistas passam os dias monitorando os céus dos Estados Unidos.

Foram eles que, cinco dias antes da tragédia, deram o primeiro alerta.

Depois, o hidrologista Ed Capone percebeu que o nível dos rios subia com uma rapidez que em 30 anos de experiência ele jamais tinha visto.

E dois dias antes da enchente, num domingo, Capone convocou uma teleconferência de emergência com o governador do estado.

"Eu disse ao governador que estávamos convencidos de que haveria uma enchente histórica. Disse a ele que era preciso começar um processo de evacuação porque muitas casas seriam atingidas", diz Capone.

As informações chegam de 14 satélites, mais de 600 radares e oito mil medidores terrestres.

Equipamentos são capazes de prever com exatidão onde vão ocorrer as "tempestades-relâmpago".

Um volume de chuva brutal que em menos de seis horas provoca grandes enchentes.

Segundo Capone, as previsões têm 90% de acerto. O alerta geral é feito 48 horas antes. Mas só se sabe o lugar exato de tempestades-relâmpago como as do Rio de Janeiro, 65 minutos antes.

(Fonte: Programa Fantástico / Rede Globo)  

Viram a diferença ? O investimento em tecnologia de radares metereológicos preveniu uma catástrofe com uma cidade, resguardando a vida em detrimento do patrimônio das pessoas. A atitude de governos utilizando recursos públicos para beneficiar a população, evitando a retórica populista.

Vamos para o caso francês, em que o furacão Xynthia causou 51 mortes, o governo do Presidente Nicolau Sarkozy mandou remover mais de 1,5 mil famílias que estavam numa área de risco. A decisão foi tomada após um relatório de técnicos e políticos. Seguradoras privadas pagaram as indenizações. A polícia francesa trouxe o aviso que arrancou lágrimas dos moradores: as 1.510 casas em áreas de risco serão demolidas.

O governo da França tomou a decisão depois de receber o relatório de uma comissão mista formada por técnicos e políticos. A comissão identifica construções perigosas, avalia os riscos e aponta a solução.

"A ordem é para ser cumprida", diz o prefeito de Aiguillon, uma das cidades da costa francesa mais atingidas pelo Furacão Xinthia, que varreu o continente europeu no fim de fevereiro. Passeatas, greves de fome e até a ameaça de invadir prédios públicos, nada disso adiantou. O presidente Nicolas Sarkozy disse que acima do desejo natural dos moradores de ficarem em suas casas, está o dever do estado de protegê-los a qualquer custo. 


Por isto cada vez mais penso que um governo é feito muito menos de discursos, mais de atitudes, se isto afeta ou não a populariedade de um governante, não interessa, os governantes vão e vem, as pessoas tem suas vidas (e suas mortes) marcadas para sempre.

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