Futebol, violência e ausências

Eu frequento os estádios de futebol desde a década de 1970, lembro-me que no início desta década fui a primeira vez no estádio Olímpico, estádio do Grêmio FBPA, time que eu torço. Levado pelo meu irmão mais velho, cedo reparei que existem dois mundos bem diferentes, a vida dentro e fora do estádio. É como se as pessoas fossem duas, na vida real podem ser pacatas ou não, mas assistindo futebol são personagens do espetáculo, pelo menos eu entendia assim. Depois de assistir futebol na década de 1980, já com um primo de mesma idade, torcedor de mesmo time, descobri a violência entre torcedores rivais em um clássico Grenal. 

Eu e meu primo estavamos no estádio Beira Rio, do S C Internacional, time que rivaliza com o Gremio FBPA. Estavamos sentados nas arquibancadas inferiores assistindo o jogo, decisivo para definir o campeão estadual. Como ambas as torcidas (local e adversário) dividiam as acomodações somente separados por uma grade de ferro, tive a pior experiência na minha vida de torcedor: Senti um pancada forte da cabeça, na testa, lado direito, quando meu primo visualizou, era uma pilha grande de rádio que causou um forte inchaço na cabeça.

Este fato fez com que afastasse-me dos estádios só retornando após apelos de meu sobrinho, em um jogo festivo da seleção brasileira, após conquistar a copa do mundo em 1994. Ai, não vivenciei porém assisti mais um triste espetáculo: em uma rua paralela a que eu estava, um arrastão de assaltantes fez uma "limpa" nos torcedores que sairam do estádio por aquela via.

Domingo passado (21/02), mais uma vez reforçou a minha convicção de manter-me fora da frequência de jogos de futebol em estádios, principalmente em clássicos.

O que  poderia dizer do "espetáculo" proporcionados por "torcedores" do São Paulo e Palmeiras ? Selvageria, vandalismos ou pura violência? marcados por impunidade, leis que não os atingem (pelo menos com eficácia que desejamos), atacaram-se uns aos outros como se aquele ato fosse normal. Retiro deste episódio dois conceitos que me dão arrepios : "hooligans" e "vandâlos". Vamos explicar:

Hooligans

São grupos de torcedores europeus, em especial os de times de futebol, eles vão aos estádios preparados para brigar, fazendo do futebol uma desculpa para os atos de violência. Em diversos países a entrada desses torcedores é barrada, principalmente se tem um grande evento marcado para aquela data. Pois os Hooligans sentem prazer ao entrar em confronto com torcedores de outro time, seria uma forma de tentar medir o poder, disputando qual deles seria o mais forte. Os casos mais freqüentes de confronto entre esses torcedores ocorrem na Inglaterra. Por ser um dos países europeus que possui grandes clubes de alto nível, conseqüentemente essas equipes acabam ganhando inúmeros torcedores, alguns deles ultrapassam o amor pelo time concretizando um sentimento de fanatismo pela equipe.

A maioria dos Hooligans é jovem e de nível econômico alto que sentem ódio pela torcida do time adversário, principalmente se o time adversário vencer a partida. A polícia local das cidades, onde ocorrem os eventos futebolísticos, prepara um forte esquema para inibir a violência antes, durante e depois da partida, porém os Hooligans encontram formas de se confrontarem e caso a polícia apareça eles se dispersam para dificultar a prisão. Além da violência entre torcidas, os Hooligans também promovem o vandalismo pela cidade, destruindo tudo o que vê pela frente. Por se mostrarem tão agressivos e ao mesmo tempo apaixonados pelo seu clube de coração é que os Hooligans acabaram tornando-se temas de diversos filmes, onde é tratada toda a sua história desde como uma pessoa passa a fazer parte do grupo até as conseqüências dos confrontos.




Vandalos

Saque de Roma pelos Vândalos, em 455.
Heinrich Leutemann.
Os Vândalos eram uma tribo germânica oriental que penetrou no Império Romano durante o século V e criou um estado no norte da África, centralizado na cidade de Cartago. Os vândalos invadiram Roma no ano de 455, saqueando-a e destruindo muitas obras primas de arte que se perderam para sempre.

Acepção atual

Chamamos hoje vândalo quem destrói ou depreda bens públicos pelo único prazer da destruição ou aqueles que cometem ações selvagens e desalmadas. A acepção atual de vândalo no sentido de depredador provem do adjetivo francês ‘vandalisme’, cunhado em 1794 pelo bispo republicano Grégoire, para criticar os depredadores de tesouros religiosos.

Herança moderna

  • Um tanto injustamente, o nome dos vândalos se tornou sinônimo para os saques bárbaros e destruição, visto que eles capturaram Roma em pouco tempo, mas não causaram danos maiores que outros invasores, inclusive de exércitos cristãos.
  • Pessoas que não se aprofundam na história geralmente ligam os Vândalos à anarquia, pois o velho Romanocentrismo ignora todas as outras civilizações do mesmo período auto-declarando Roma como a capital do Mundo (no mesmo período os Neo-Persas ou Partos estavam vivendo um grande apogeu civilizacional; os próprios rotulados de "bárbaros" ergueram estados e só eram agressivos com Roma por que esta o foi primeiro para com eles).
 Fonte: Wikipédia


Abaixo o editorial apresentado por Joelmir Betting, no Jornal da Band ,expressando a opinião do Grupo Bandeirantes sobre a violência no futebol.

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6 Comentários

  1. Excelente post amigo Geraldo!
    Infelizmente alguns desordeiros transformaram o espetáculo em um campo de guerra para aliviar suas frustrações. Quem perde é o torcedor genuíno que ia apreciar o bom futebol.
    Eu também hoje não vou a estádios por estes sucessivos atos de agressividade gratuita.
    Forte abraço, Fernandez.

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  2. Como para todas as mazelas que temos, falta a boa velha vontade política. Muitos "torcedores" fazem parte dos conselhos dos próprios Clubes. Eu fui pela última vez ao estádio em 1995 ou 1997 e o jogo era um Corinthians e Vasco, então a torcida adversária era pequena, mas já vi tanta tragédia como você bem disse em ruas paralelas, em metrôs, etc que não sinto a mínima falta nem vontade de voltar a frequentá-los.
    Certa vez estava em Itajaí, Santa Catarina e tive o azar de estar na rua e cair no meio de uma multidão de torcedores do time local em guerra contra a polícia e os adversários que eram de Florianópolis. Vi carros sendo apedrejados, mulheres com crianças de colo e sangrando, enfim. Selvageria total.
    A polícia apenas dispersa e acabou. Quando prende alguns é apenas para que o elemento vá e assine algo que não sei o que é e vá pra casa, para no próximo jogo fazer tudo de novo. Os danos em vias públicas? Danos aos lojistas, ônibus, Metrôs, pessoas ferias e mortas? Ah, isso é de menos. É detalhe.

    Abração

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  3. Olá Geraldo,

    Parabéns pelo óptimo artigo. Apesar da diferença entre os Vândalos e o conceito de vândalo, penso que no que respeita ao futebol e às claques (torcidas), o vulgar conceito da palavra é muito bem aplicado.

    Abraços
    Luísa

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  4. Por essas demonstrações de selvageria que me abstenho de ir a jogos de futebol, mesmo sendo aficionado pelo esporte.
    Muito bom!

    Um forte abraço!

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  5. É muito triste o que acontece nos jogos de futebol em tempo de clássico, parece que os torcedores de torcidas organizadas estão indo para uma guerra, com bomba,arma, e outras armas que eles mesmo criam como por exemplo aqueles paus com vários pregos e terrível.Com tantas violências acabam afantando os verdadeiros torcedores.

    Brasil o país da impunidade.

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  6. Geraldo, eu já assisti muitos jogos (e classicos tambem) lá no Maracanã. Nunca tinha visto nada demais... isso tem uns 15 anos. Hoje em dia, não tenho coragem. Há 2 anos, um funcionario de uma amiga minha, com 18 anos, sofreu traumatismo craniano e varias fraturas no corpo depois de ser agredido dentro de um onibus. Acharam que ele tambem fazia parte da galera rival. Disseram que tinha no orkut aviso de que haveria brigas.. mas quem adivinharia onde e quando?!

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