Olimpiadas 2016 - um resgate da auto estima brasileira




Eu, como muita gente, não fui favorável a idéia de fazer a Olimpíada de 2016 no Rio de Janeiro, até sonhei na noite anterior que Tóquio tinha sido escolhida como cidade sede, logo vi que estou mal de sonhos premonitórios( *).  O esforço feito pela delegação brasileira, com o presidente fazendo um discurso emocionado, ressaltando as razões pelas quais nosso país, nosso continente precisava deste importante reconhecimento da comunidade internacional.

Não somos apenas o país do futebol, carnaval e turismo sexual (infelizmente), agora estamos no mapa de duas das mais importantes competições mundiais : A copa do mundo de futebol em 2014 e a Olimpiada de 2016. Faz bem para nossa auto-estima pátria ser responsável por organizar eventos desta magnitude.
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Sempre existe um porém em tudo isto, o principal é não repetir os erros do Pan 2007, estourando o orçamento várias vezes, talvez ai resida o principal obstáculo na aceitação incondicional deste evento. Existem vários outros, a nossa síndrome de Macunaíma também pesa nisto, não sabe do que (ou de quem) estou falando ? Acompanhem a excelente análise .  feita por Sarah Yachni  no site Mnenocime - memória e imagem

Extrai apenas alguns trechos, já que a análise é longa e não pretendo me alongar, coloquei um pequeno trecho do filme para ilustrar minha opinião.

Macunaíma: um herói sem causa

"..Poderia se pensar Macunaíma como símbolo do brasileiro que nasce já sem infância , exposto ao mundo sim, como todos os heróis, mas com a questão da sobrevivência enrolada no pescoço. É filho de mãe solteira e a falta de paternidade traz uma conotação de abandono , de falta de autoridade, pois o pai, na simbologia, é a representação de toda forma de autoridade: chefe, patrão, professor e protetor. O pai representa, ainda, a fonte da instituição, é aquele que dá as leis. Nesse sentido, o herói do filme nasce como que abandonado à sua prória sorte. É um herói às avessas, sendo que na sua a sua jornada não se configura um sentido maior, pelo menos por enquanto...

"...Apesar da trajetória de Macunaíma obedecer algumas características do destino de um herói na mitologia grega como a trajetória circular, o contato mágico com os deuses, os ritos de passagem pela água, a luta com Venceslau como ponto alto da narrativa e uma morte solitária, a sua trajetória como herói falha justamente num ponto muito importante. Segundo Junito Brandão a vida do herói é pautada pelo bem comum,todos os seus passos reverterão em benefício do coletivo , alcançando finalmente, o posto e as honras a que tem direito. O fio condutor de sua vida é uma causa pela qual ele luta. Para o nosso herói o que falta é justamente uma causa maior, ligada ao bem comum, ele não está à serviço da comunidade.

" Herói de consciência individual, egoísta e encimesmado, ele não tem lastro para cumprir o papel de herói, é um anti - herói. Um herói sem causa, morre em vão." Símbolo de um Brasil sem projeto, em crise com a sua identidade. Um país sem uma noção forte de coletivo é um país que tende para a autodestruição, um país que devora a si mesmo..." 

Faz bem para nossa imagem lá fora ser reconhecido pela FIFA e pelo COI com país capacitado para realizar estes eventos? Sim, faz... mas para nossa imagem interior? Não seria melhor investir em nós, cidadões brasileiros? Quanto dinheiro advirá destas grandiosas celebrações? Teremos retorno para todos brasileiros com a realização da Copa e Olimpíada?

É uma análise que cada um deve se fazer quando analisamos a nossas responsabilidades perante o mundo e o país. 



*  (pre.mo.ni.tó.ri:o)


a.Que diz respeito à premonição
b. Que adverte com antecipação; que se deve considerar como aviso ou prevenção (sonho premonitório) : Dias antes da eclosão da guerra, o jornalista publicou um artigo premonitório

[F.: Do lat. praemonitoriu.]Fonte : Dicionário Digital Caldas Auluete

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1 Comentários

  1. Eu repito aqui o que disse o Cristovam Buarque, se não me falhe a memória: Temos dinheiro para realizar a Copa do Mundo. Temos dinheiro para realizar os Jogos Olímpicos então não há desculpas para não ter dinheiro para investir em Educação.

    A pergunta é: Vale a pena investir em educação? Acho que não... Senão, mais da metade que alí está, certamente não seria eleito...

    Abração

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